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ESPINOSA
Gosto de ver-te, grave e solitário, sob o fumo de esquálida candeia, nas mãos a ferramenta de operário, e na cabeça a coruscante idéia.
E enquanto o pensamento delineia uma filosofia, o pão diário a tua mão a labutar granjeia e achas na independência o teu salário.
Soem cá fora agitações e lutas, sibile o bafo aspérrimo do inverno, tu trabalhas, tu pensas, e executas
sóbrio, tranqüilo, desvelado e terno, a lei comum, e morres, e transmutas o suado labor no prêmio eterno.
poesia.net www.algumapoesia.com.br Carlos Machado, 2008
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